esquizoativo

o hipocalipse das máquinas desejantes, o golem antiartístico, o ócio e a fofoca por mateus potumati

o código pirata novembro 27, 2007

Filed under: bulêfa,música — Mateus Potumati @ 7:31 am
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oink.jpg

 

 

essa ilustração aí de cima (e o título do post) foram tirados de uma matéria do chicago reader sobre o fechamento do oink’s pink palace (ou só oink, para os íntimos), no final de outubro. durante seus três anos e meio de funcionamento, o oink foi algo entre um oásis e uma zona autônoma temporária para 180 mil fanáticos por música ao redor do mundo – dentre os quais, infelizmente, não me incluí. com um código de conduta rígido (para participar, entre outras coisas, era necessário ser convidado, ter um avatar decente, ajudar a produzir conteúdo para as resenhas internas e passar por “revistas” regulares, sem mencionar ter uma discoteca apresentável no hd), a rede de torrents acabou se tornando não só um dos maiores catálogos gratuitos de música na internet, mas um ambiente de criação, discussão e informação de amplitude e refinamento provavelmente nunca vistos.

a indústria musical e a polícia, porém, não viram toda essa beleza e idealismo na coisa e, finalmente, conseguiram fechar o site, colocando seu fundador na cadeia. em sua resenha no reader, miles raymer (que também escreve o crickets) defende basicamente que, em vez de caçar membros de redes de compartilhamento como se fossem talebans curtidos em crack (a metáfora é minha), a indústria musical devia aprender com eles. demorou, né. apesar de irrelevante em termos de circulação se comparado ao itunes, principal fonte de venda de música digital, o oink (e outras redes que existem e as tantas que inevitavelmente aparecerão no lugar) era infinitamente superior em qualidades essenciais à circulação de conteúdo no mundo de hoje. sites como o itunes ou a amazon falham feio por não terem sacado que o senso de comunidade e de interação pessoal sem fins monetários, base do oink, é o que cola na internet hoje. fora o problema da abrangência: imagine o trabalho que seria conseguir, por exemplo, um disco de rock psicodélico cambojano fora de catálogo pelas vias “legais”.

mas qualquer esperança de iniciativas produtivas por parte da indústria musical ou da lei é sempre pífia. e nesse caso a culpa não é só da indústria: estamos vivendo uma época de proibicionismo, proto-fascismo e alienação surpreendentes. aqui nos eua, a hillary clinton se mostrou partidária a uma política mais dura contra os imigrantes ilegais, com muro e tudo. isso que ela é democrata – já os republicanos vieram com a idéia de que a imigração cace e mande embora pelo menos 500 mil ilegais, para “servir de exemplo”. são cada vez mais comuns aqui em chicago relatos de alunos sendo punidos, e até expulsos, pelo simples ato de abraçar um colega na escola. no brasil, o sucesso do capitão nascimento e do filme tropa de elite escancarou até aonde chega uma sociedade onde o estado, incompetente em gerir as necessidades básicas dos seres humanos, se resumiu ao poder de polícia (vou falar sobre esse filme em um post-pesquisa aqui em breve). na música, isso resulta nessa perseguição atroz da RIAA (o lobby das grandes gravadoras de discos) e em declarações pífias como a do gene simmons, do kiss, que defendeu esses dias a prisão de cada moleque que baixa música ilegalmente no mundo. (nessas horas, eu só penso em como os portais de notícias ainda não acordaram para o fato de que várias pessoas copiam e colam textos de propriedade deles, em fóruns de discussão, orkut, blogs etc. imagina quantos milhões eles estão perdendo com cada ctrl c + ctrl v que o povo dá por aí. ih, melhor nem dar idéia.) enfim, na real eu cago e ando pro que esses caras da RIAA pensam, e é mesmo uma questão de tempo até que esse modelo de negócios da indústria musical do século XX seque de vez. mas eu me preocupo e me pergunto aonde essa caretice atual do mundo vai chegar.

 este assunto ainda não acabou. esta semana eu vou postar uma entrevista que fiz com o steve albini, e aí a gente dá seguimento.

 

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