esquizoativo

o hipocalipse das máquinas desejantes, o golem antiartístico, o ócio e a fofoca por mateus potumati

shellac no brasil / shellac no hideout dezembro 18, 2007

Filed under: chicago,música,notícias,reviews — Mateus Potumati @ 7:58 am
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boa notícia para os brasileiros: ao que tudo indica, o shellac (pronuncia-se xelác, com acento no a) vai mesmo ao brasil em março de 2008. segundo este blog apurou com steve albini e bob weston, respectivamente guitarrista e baixista da banda, o empresário mineiro marcos boffa vai produzir cinco shows no país (eles mencionaram algo sobre argentina também, mas não tinham maiores informações a respeito – e, francamente, who cares). as datas e locais serão confirmadas pela touch and go records no hotsite da banda.

 

eu ainda não tinha visto um show do shellac até sábado passado – e quase continuei sem ver, porque os ingressos para as 4 noites e duas matinês estavam esgotados -, e agora posso dizer que é diversão do começo ao fim. o albini é um tirador de sarro de primeira, do tipo que poderia fazer um show de stand-up nerd ou de spoken word como o do henry rollins na boa. o bob também manda bem com o público, numa linha mais ranzinza. já o todd, baterista, é um clone superdesenvolvido do keith richards, magrelo, soturno, usando preto de cima abaixo e com uma fivela de caveira pirata no cinto. ele ficou meio quieto no show, porque estava com uma puta febre, mas só a presença dele já anima a molecada.

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musicalmente, é incrível como ao vivo a guitarra de albini tem um som único. do braço aos captadores, das tarraxas ao amplificador (que parecia um fogareiro futurista dos anos 70), nada parecia ter pertencido originalmente ao mesmo instrumento. juntas, as peças formam um adorável golem que produz uma gama de sujeira e barulho extremamente rica, modelada por incursões a pontos mais angulosos do ritmo. é uma experiência distinta da dos discos, e ainda mais orgânica do que aquela.

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o show foi no hideout, um pub bem antigo de chicago (fundado legalmente em 1934, mas funcionando clandestinamente sabe-se lá desde quando). como o nome sugere, o lugar é completamente amoitado. a posição tinha que ser estratégica, já que no começo do século XX o bar era reduto de putas, bêbados e toda a bandidagem que fazia a fama de chicago. mas é interessante como o esconderijo resistiu ao tempo: desde a saída da interstate 94, o caminho é tão bizarro e improvável que lembra a neverwhere de neil gaiman. ruelas de paralelepípedo, com sinalização precária e trechos sem saída, levando a uma área dominada por fábricas e pátios de caminhões de lixo.

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como não poderia deixar de ser, o lugar é classe a: povo legal, clima de família e goró barato. tomar uma lata de cerveja num pub em chicago por US$ 2,50 já é uma grande vitória, mesmo que seja old style light. pra completar a preza, como o show em que fui era de tarde (o shellac ainda faria outro à noite), havia uma mesa com caixas de dunkin donuts variados à disposição. o bar também serve um café bom pacas, além de outras bebidas quentes. mais em casa, impossível.

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10 Responses to “shellac no brasil / shellac no hideout”

  1. daigo Says:

    Legal, Mateus. Vi tua entrevista com o Albini na +soma, bem bacana, parabéns.

  2. Essa banda é boa mesmo. Porém, sendo o show em março, mesmo mês do show do Iron Maiden, e considerando que a grana está curta, vou ficar com o Iron. Mas adorei a postagem. Grande abraço!

  3. Mateus Potumati Says:

    ae, daigo, valeu!
    ainda nem vi a revista, não chegou pra mim aqui
    quando tiver um tempo, jogo a entrevista aqui também

  4. Mateus Potumati Says:

    andré, você é um fanfarrão. o mais engraçado é que nesse show que eu fui um cara perguntou “quem vocês preferem, paul diano ou bruce dickinson?”. o bob ficou meio que tirando o cara, até que o albini lançou “você sabia que o dickinson é um esgrimista frustrado?” o cara “yea, ele chegou a ser 7º lugar no ranking britânico”. albini: “você é gay. saber que ele foi esgrimista é ok, mas saber o ranking dele é gay”.

    espero que você repense. iron toca aí todo ano. o shellac tão tentando levar há mais de 10 anos. fora que é muito melhor. hehe

    abraço

  5. Pedro Says:

    gostei da parte dos donuts, café e outras bebidas quentes…

  6. Mateus,
    Vi seu comentário no blog, eu não assino os posts aí fica difícil…
    Conheci vocÊ na Pc Roosevelt através do Marião, faz um tempo e conversamos pouco. Li algumas matérias suas na Rolling Stones e agora descobri o blog, muito maneiro.
    Forte Abraço e boa temporada aí nos States

  7. Mateus Potumati Says:

    opa, valeu pierre.
    acho que lembro de você, sim. falamos sobre quadrinhos e tal, lá no la barca.

    abraço!

  8. Mateus Potumati Says:

    e tinha varios tipos de donuts diferentes, pedrao. eu nao tomei o cafe, mas sentia o cheiro quando a garconete passava e ouvia o povo comentando “damn, this is good coffee”. hah!

  9. Muito legal conhecer o blog, gostei muito.

    E saber do shellac no Brasil tbm é muito bom. Como é o boffa trazendo, espero que passem por BH.

  10. […] Ele nos recebe com um breve aperto de mão e já nos conduz à sala, onde uma imensa mesa de bilhar divide espaço com um sofá grande, mas apenas suficientemente confortável. Nas paredes, estantes repletas de livros, quadrinhos, zines, dvds e fitas vhs. Uma TV de tela plana está acoplada a um aparelho TiVo, novo xodó de Albini: “Gravo tudo o que quero ver e assisto depois, pulando os comerciais. Minha vida agora se tornou virtualmente livre de propaganda (risos).” Estamos ali para conversar sobre os 20 anos do primeiro show do Fugazi, e embora ele emende um “não fui a esse show, viu?”, é uma das pessoas mais indicadas a falar do assunto. Mas a entrevista logo se amplia para tópicos como download ilegal de música, rumos da indústria musical, produção de bandas independentes, história, geopolítica, tecnicismo e sobre o trabalho do próprio Albini. Uma hora reveladora em sua acidez, originalidade e franqueza – ainda que isso signifique esbarrar em contradições -, encerrada com uma boa notícia aos brasileiros: se tudo der certo, Albini deve tocar com o Shellac no país em março (rumor confirmado aqui). […]


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