esquizoativo

o hipocalipse das máquinas desejantes, o golem antiartístico, o ócio e a fofoca por mateus potumati

obama girl, recessão e o fim do mundo, pra variar janeiro 19, 2008

o ano começou com tudo aqui nos u.s. and a.: alguns analistas dizem que o país já entrou em recessão, o clima está completamente louco e a corrida das prévias presidenciais entrou na fase decisiva. o frio demorou a chegar na região de chicago, mas quando chegou parecia ter vindo para ficar – me lembro de ter visto -17ºC em dezembro, o vento castigando quem se atrevia a sair na rua com uma sensação térmica de -27ºC. durante alguns dias, era isto que eu via pela janela do meu quarto:
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shellachideout-083.jpg

a estalactite maior devia ter 1,50 m de comprimento e ficou ali, intacta, por quase uma semana.

natal e ano novo tudo ok, frio e neve para ninguém botar defeito (aliás, o ano novo aqui não se compara ao brasil – até caímos numa festa animada, mas, como todas as outras na cidade, ela acabou à 1 DA MANHÃ). lá pelo dia 3, porém, começou a esquentar. do dia 4 ao dia 6, os termômetros foram batendo recordes de alta temperatura até que, no dia 7, chegamos a inacreditáveis 19ºC (acima de zero), superando em 5ºC um recorde que datava de 1907 (ou cem anos atrás, se preferir). simplesmente a maior temperatura em todos os tempos para esse dia do ano. de quebra, o encontro do ar quente com o frio gerou uma onda de tempestades fora de época no estado, que desabrigou centenas.

mas, a menos que você tenha perdido tudo que tem por causa de um tornado, nem dá tempo de esquentar muito a cabeça. ainda que fique cada vez mais claro o tamanho do estrago que fizemos no planeta (eles aqui bem mais do que nós aí, vale lembrar), os gringos adoram o clima de primavera, perfeito para sair à rua de chinelinho e camiseta, fazer compra adoidado nos saldões do que ainda restou do natal, tomar sol e se jogar nos parques. só para ter uma idéia, a média histórica do dia 7 de janeiro em chicago é -9ºC, e não é raro enfrentar frio abaixo de -20ºC durante o mês. olhando por esse lado, esse tal de aquecimento global é só alegria.

pois é bom o povo daqui se acostumar: os últimos relatórios oficiais sobre o fenômeno (arquivo em pdf) seguem provando que as mudanças climáticas são mais radicais no hemisfério norte. isso está tão evidente que até os republicanos, famosos pelo joão-sem-braço do protocolo de kyoto, mudaram o discurso. nos debates internos do partido pela TV, praticamente todos os candidatos têm apresentado propostas para combater o aquecimento. essa guinada provavelmente tem mais fundamento em pesquisas de opinião do que em preocupações reais. mas ver os viciados em petróleo do bush falando como ativistas do green peace, enquanto uma onda de calor invade o inverno quase-ártico, traz a sensação incômoda, para usar um eufemismo, de que as previsões apocalípticas de james lovelock para este século podem ser mais do que a visão amarga de um worst case scenario. seis bilhões de mortos até 2100 é algo tão catastrófico e difícil de imaginar que ainda podemos nos dar ao luxo de considerar alarmismo. mas, pelas desgraças menores que aos poucos se incorporam ao nosso cotidiano, 92 anos parece tempo de sobra para chegarmos lá.

* * *

só pra constar, o frio voltou: agora (sexta, 18 de janeiro, 2h07 da manhã) faz -12ºC, o wind chill jogando a sensação para -21ºC. já dá pra abrir a janela de novo e deixar a cerveja lá fora até dar aquele grau.

* * *

enquanto a terra segue cozinhando em fogo brando, a disputa pela candidatura a presidente por aqui já está do jeito que o diabo gosta. ainda no final do ano passado, os clintons aplicaram no obama um ratfucking de fazer inveja aos partidários de nixon nos anos 1970: no dia anterior ao debate democrata, um dos coordenadores nacionais da campanha da hillary clinton (bill shaheen, o nome da peça), disse ao washington post que, caso o obama leve a indicação do partido, os republicanos usarão “todo tipo de truque sujo” para capitalizar em cima do seu passado com as drogas (obama admitiu publicamente ter usado maconha e cocaína na adolescência). shaheen disse que será inevitável o bombardeio de perguntas como “até quando você usou drogas” e “você já vendeu drogas a alguém?”. logo que a notícia bombou, shaheen foi a público pôr panos quentes e comunicou sua saída da campanha. em seguida, foi a vez de hillary clinton repudiar as declarações, negando qualquer envolvimento com o caso e dizendo que sua campanha era baseada em “encontrar soluções positivas para a família americana”. nem todo mundo engoliu a inocência dela, muito menos que as declarações tenham sido um ato isolado, seja porque a entrevista coincidiu com a ascensão de obama nas pesquisas, seja por ter ocorrido na véspera do debate, seja porque shaheen é amigo pessoal da família clinton há quase 30 anos.

* * *

obama parece não ter sentido o golpe, já que saiu na frente em iowa e apesar de ter perdido em new hampshire continua à frente nas pesquisas. de qualquer forma, seria uma boa hora para a obama girl voltar à ativa. já ouviu falar nela? eu não conhecia até semana passada, quando o pablo me mandou o link do vídeo. nele, uma modelo usando trajes generosos dubla um r&b pegajoso e de letra bem-humorada, enquanto dança com anônimos na rua e lança olhares apaixonados a imagens toscamente editadas de obama. pesquisando, fui saber que o vídeo (“i got a crush on obama”, ou “eu sou a fim do obama”) foi um dos mais vistos do ano passado na internet. a campanha nega que tenha encomendado a peça, mas seja como for é um dos virais mais bem sucedidos de 2007. e merece mais crédito ainda por estar ligado a uma campanha política, meio marcado pelo melodrama e pelo trash a que estamos acostumados.

além disso, desde o dia 13 deste mês o contra-ataque também já está no youtube: em versão punk rock, “i got a crush…on hillary (take that obama girl!)” traz um garoto branco dizendo que, não importa o quanto a obama girl rebole, quem leva é a hillary, a “candidata mais sexy”. nem precisa falar como ficou forçado isso. só um moleque de 14 anos muito otário diria que tem tesão na hillary clinton e que dispensaria a obama girl. além do que o vídeo é bem mais sem graça. seja como for, já passou de 400 mil plays em cinco dias. é isso aí, as eleições entraram oficialmente na época da internet 2.0.

vejam aí os dois vídeos e decidam por vocês qual é o melhor:

1) obama girl canta “i got a crush on obama”

2) punkzinho da hillary canta “i got a crush… on hillary (take that obama girl!)”

 

3 Responses to “obama girl, recessão e o fim do mundo, pra variar”

  1. Szcjskã Says:

    Mancada….os Clintons vão mesmo mais o Mcain, jogarem baixo contra Obama ,e a acessoria dos dois candidatos estão ligadas contra esse tipo de tática suja que tem prejudicado a candidata do estabilishiment de Washington Isso está sendo noticiado na mídia daqui que tem repercurtido negativamente pró Clintons…..melhor assim !!!!!

  2. Hahaha! Dá pra ver que embora nosso senso de humor seja mais criativo, eles têm o deles também… e não deixam a desejar! hahaha
    E pra quê colocar a cerveja pro lado de fora? Do jeito que andam as coisas por aí, o negócio é agasalhar a lata com um bom cobertor e esperar a cerveja esquentar!

    ótimo blog

    abração

  3. […] não tem razões para usar esse tipo de recurso abertamente. Se usou, o fez como no episódio da Obama Girl, que para todos os efeitos também foi feito por pessoas não ligadas à […]


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