esquizoativo

o hipocalipse das máquinas desejantes, o golem antiartístico, o ócio e a fofoca por mateus potumati

south by southwest: quando a américa dá mole fevereiro 21, 2008

Filed under: festivais,música,mostras,notícias — Mateus Potumati @ 7:53 am
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fiquei um tempo sem dar sinal de vida, mas tô aqui, vivão e vivendo. entre o último post e este rolou um monte de coisa, desde fazer mudança sob uma friaca de -22ºC (nunca tinha ficado tanto tempo na rua num frio desses, é engraçado ver o ranho congelar, mas sentir os ossos da mão doendo, com luva e tudo, não tem lá muita graça), a discotecar num programa de uma college radio aqui, a WRRG, e ver a corrida presidencial praticamente se definir entre Obama e Mccain. vou falar mais sobre isso tudo em outro post, mas o assunto aqui agora é outro.

* * *

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a melhor novidade desses tempos provavelmente foi ter recebido a confirmação de que, sim, eu e a patroa vamos ao South by Southwest este ano. vai ser nossa primeira vez no festival, que rola durante o mês de março em Austin, no Texas, e é claro que a gente tá empolgadão. o maior trunfo do SXSW é o formato, bem diferente do de eventos mais hypados como o Coachella ou o Glastonbury. a lógica toda é outra, a começar pela estrutura dos shows: em vez de acontecerem em palcos grandes ao ar livre, eles são distribuídos em casas noturnas da cidade, de capacidade bem menor. nada contra multidões, já curti muito, mas show em lugares fechados e menores é outra história. durante cinco dias, esses bares irão receber mais de 1500 (isso mesmo, mil-e-quinhentos) artistas do mundo todo, que transformam as ruas de Austin, até então uma cidade média do interior dos EUA, numa babel por onde ecoam os mais variados e instigantes idiomas musicais.

este ano, 13 artistas brasileiros anunciaram showcases no festival, a maioria bandas indie experientes e consistentes, como as paulistas Curumin e Debate e a goiana MQN. mas também há novidades, como as brasilienses Nancy e Lucy and The Popsonics, e até um figurão: o atual-rapper-e-eterno-maconheiro carioca Marcelo D2. apesar das diferenças de estilo, recursos e estrada, todos eles procuram o festival pelo mesmo motivo: tentar tirar uma casquinha da América. se por um lado é um investimento sem resultado garantido (as bandas que se inscrevem pagam para se apresentar nos showcases), é provável que não haja lugar melhor para apostar as fichas do que o SXSW. antes de ser um festival, o evento é o conjunto de três imensas feiras de networking (além do festival de música, acontece um de cinema e outro de tecnologia), para onde convergem milhares de pessoas em busca de ampliar relações profissionais ou de criar novas perspectivas. pode soar chato à primeira vista, mas pense nisso como um Facebook do mundo real – aliás, não por acaso um dos principais palestrantes desta edição é Mark Zuckerberg, criador do Facebook e atual pessoa-mais-rica-do-mundo-sub-23 -. é um lugar onde, além de conhecer gente interessante e poder ter o estalo que falta na sua vida, ainda rola um monte de cerveja e churrasquinho o dia inteiro.

além da multidão de quase-famosos nos showcases, o SXSW deste ano traz como headliners R.E.M. e Black Crowes, ambos lançando disco novo, Ice Cube, the Breeders, My Morning Jacket, N.E.R.D. e the Kills, entre outros. o mais legal, entretanto, é aproveitar a variedade insana de shows para ver coisas que dificilmente se vê em outros lugares. falo de bandas americanas em franca ascensão, como afro-rock nova-iorquino do Vampire Weekend, artistas de vanguarda como o “death-dub” dos ingleses Dokkebi Q, figuras míticas como o blueseiro californiano Darondo ou a eterna musa country Dolly Parton, e o show do guitarrista e produtor Kevin Shields, mais conhecido como frontman do lendário My Bloody Valentine. depois da frustração pela turnê-que-não-foi do próprio My Bloody Valentine, o show de Shields ganha um status quase de santo graal indie nos EUA em 2008 – ainda mais com as várias reclamações sobre a setlist dos festivais de verão deste ano.

outro charme do SXSW são os famosos shows-surpresa que rolam no calor da batalha. o mais aguardado, sem dúvida, é uma possível apresentação de Lou Reed. em teoria, Reed vai ao festival como principal palestrante, promovendo o filme Berlin, de Julian Schnabel. filmado em Nova York em 2006, Berlin documenta cinco noites em que Reed tocou exclusivamente as faixas de seu disco homônimo de 1973, uma das pedras angulares do rock pós-psicodelia. Schnabel ficou famoso em 2007 por ganhar o festival de Cannes e o Globo de Ouro com o filme O Escafandro e a Borboleta. entre os blogueiros e participantes do festival em geral, a pergunta não é “se”, mas “quando” e “onde” Reed vai dar sua canja – e, principalmente, “como eu faço pra chegar antes de todo mundo”. outra canja aguardada é a de Thurston Moore, que também vai ao festival como palestrante e aproveita para promover seu selo, Ecstatic Peace. ainda mais porque ele vai estar junto com Steve Reich. uma canja dos dois já valeria o festival pra muita gente.

enfim, ainda estou me preparando espiritualmente pra encarar o bicho e tentando resolver a equação trabalho/diversão da forma mais eficiente e menos traumática. a listagem completa dos artistas está aqui, mas aqui rola uma relação mais detalhada. quem quiser fuçar e sugerir alguma coisa, fique à vontade (eu agradeço, na real, haha). tentei achar algum vídeo de Berlin, mas não rolou. então jogo o trailer britânico de O Escafandro e a Borboleta e um show da mesma turnê documentada por Schnabel, na Itália. a filmagem não é lá grande coisa, mas a música é uma das minhas favoritas do disco, e dá pra ter uma idéia do que tem no filme.

 

One Response to “south by southwest: quando a américa dá mole”

  1. Janinha Says:

    no countdown: 7 dias… uêba!


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