esquizoativo

o hipocalipse das máquinas desejantes, o golem antiartístico, o ócio e a fofoca por mateus potumati

baile Juke abril 8, 2008

Filed under: chicago,frilas,matérias,música — Mateus Potumati @ 6:37 pm
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Finalmente saiu minha primeira colaboração com a nova e classuda ELEELA. Ainda não sabe? A revista, clássico da adolescência onanista dos caras na faixa dos 30, foi totalmente remodelada. Fotos incríveis, projeto gráfico lindão, textos de qualidade e, claro, belas mulheres. Na matéria, falo sobre a cena juke aqui de Chicago, que mistura hip-hop, música eletrônica e passos de dança quentíssimos. O juke está em evidência aqui agora e eu e a Jana fomos conferir um baile em fevereiro. São delas as fotos que acompanham este post e a matéria da revista.

O André Maleronka, truta nosso e pau pra toda obra (ah, garoto) do site da revista, colocou no ar uma versão desta matéria, com uma bela seleção de vídeos. Como a revista já chegou às bancas, estou colocando o texto e algumas fotos aqui. Mas visite ela no contexto original, pra ver os vídeos que o Maleronka selecionou. E, claro, compre a revista. Você já tem a desculpa perfeita pra apresentar à patroa.

* * *

Por Dentro do Baile… juke?!

Batidão, bailes lotados, “dança do sexo”… Não, esta não é outra matéria sobre funk carioca. Veja como, com bons djs, muita polêmica e animação sem fim, Chicago gerou uma das noites mais quentes do planeta.

Por Mateus Potumati

Fotos Janaina Felix

É noite de quinta no gélido mês de fevereiro em Chicago. A julgar pela paisagem, a cidade parece o último lugar do mundo para uma noitada. A neve que cobre tudo e ainda insiste em cair é um aviso claro à sensatez: fique em casa. Ignorando a voz da prudência, porém, um barulhento grupo de insensatos se aglomera à porta do Underground, casa noturna badalada na Illinois Avenue. As insistentes rajadas de gelo são um teste para a fé, mas eles nem pensam em desanimar. Afinal, hoje é noite de juke, a balada mais inflamável da noite de Chicago. Em instantes eles colocarão fogo no lugar, com movimentos de causar inveja a qualquer baile funk do Rio.

Surgido nas ruas do sul negro da cidade nos anos 80, o juke (ou juking) foi a resposta local à breakdance nova-iorquina. Ao contrário do break, a ação no juke tradicional se concentra nos pés e nos quadris, em movimentos incrivelmente acelerados. Durante o verão, festas imensas de rua trazem djs e disputas entre crews, como no break. Com o passar dos anos, porém, o juke saiu do gueto e começou a ganhar os clubes de downtown. Ali, se desenvolveu uma versão ultrassexualizada da dança, que virou mania entre jovens da região. Logo que entramos no Underground, isso fica claro. Quando o duo de djs Flosstradamus, maior nome da cena, manda suas primeiras batidas – uma mistura fina de ringtone rap, house e remixes indie-rock – a pista já bomba com casais, trios e trenzinhos animadíssimos.

A partir de agora, só há duas regras: a) ninguém é de ninguém; e b) não vale dançar sozinho. Basta entrar na muvuca para sentir as mãos da garota logo atrás, ou a bunda da garota logo à frente. Em duplas ou sozinhas, elas sobem nos balcões ou nos sofás e provocam os rapazes, com passos que desafiam o sentido do verbo insinuar. Embaixo, uma delas se reveza entre rebolar na virilha de dois garotos. Num pilar mais afastado, um casal se diverte em coreografias pervertidas. A temperatura sobe mais ainda com os gritos de guerra de Hollywood Holt, MC convidado e outra estrela da cena juke. De cima do pequeno platô onde ele se espreme entre as pickups do Flosstradamus, entoa gritos de guerra sem parar, comandando um grupo de garotas do south side que acompanha o duo em todas as festas. Chicago é uma das cidades com maior número de mulheres solteiras nos EUA – elas superam eles em impressionantes 100 mil corpos, segundo uma pesquisa da revista National Geographic. Esta noite, elas parecem ter vindo todas ao mesmo lugar.



E eles adoram aparecer, especialmente quando revelamos para onde é a matéria: “Oh, Brazil? You’re sooo hot!” Tudo acontece com naturalidade, sem excessos ou mal-entendidos. Essa, afinal, é apenas a forma de dançar de uma geração que viu tudo muito cedo e que, por isso, se entrega à sexualidade sem crises de consciência. É uma platéia harmônica em sua esquizofrenia, que mistura tipos engravatados e patricinhas a garotos andróginos com adereços multicoloridos e garotas vestidas para o século XXIII. O som segue na mesma linha: a radiofônica “Crank Dat (Soulja Boy)” é quebrada, desacelerada e remixada com guitarras indie. Daft Punk e Dizzee Rascal formam mashups com batidas da cena, como Kid Sister e Cool Kids. É como se o descolado Milo Garage de repente fosse possuído pelo espírito putanheiro do Love Story.

Como em toda boa sacanagem, ainda, a consagração definitiva da cena juke de Chicago veio depois do escândalo. Nos últimos anos, a mania extrapolou os inferninhos e invadiu os tradicionais bailes escolares norte-americanos – aqueles que todo mundo cansou de ver em filmes como A Garota de Rosa Shocking. Pais e diretores de escola ficaram indignados. A imprensa adorou. Se, por um lado, os jornais tentam discutir as implicações morais da “dança do sexo”, a MTV e revistas como Spin e URB elegeram a cena como grande promessa de renovação da música eletrônica americana. Sentindo a onda, a Samsung criou uma linha de celulares especiais em homenagem ao estilo. A dança se difundiu tanto entre os adolescentes que, a partir de 2005, um patrulhamento ostensivo tenta bani-la das escolas. Ingressos para os bailes trazem avisos específicos, proibindo “dançar com as costas viradas para o par” e fazer movimentos “sexualmente explícitos”. Boa parte dos alunos é obrigada a assinar documentos nos quais aceitam normas de dança: “Os pés devem ficar no chão. As mãos não podem tocar o solo. É proibido curvar o corpo contra as paredes. As danças devem ser executadas apenas em posição ereta.” Grupos de alunos protestaram, justificando que essa é “apenas nossa forma de dançar” e defendendo que, ao contrário do que possa parecer, a dança não tem necessariamente um sentido sexual. Em declaração ao jornal Chicago Sun-Times, um representante dos alunos se perguntou, “será que eles não foram jovens um dia?”

É inegável, aqui, a semelhança com outro escândalo famoso, que tomou os EUA nos anos 1950 e teve em Elvis seu maior catalisador. Como os pioneiros do rock and roll, as estrelas do juke levaram um estilo de dança dos negros para o coração da América branca. Confrontados com o rebolado de Elvis ou com a porra-louquice de Jerry Lee Lewis, pais e autoridades perseguiram o gênero como se ele fosse o presságio da vinda do Anticristo. Para completar, os tempos de hoje vivem um renascimento conservador que remonta àquele período pré-anos 60. Se o juke de Chicago dificilmente alcançará as proporções do rock and roll, uma coisa pelo menos é certa: enquanto tentam controlar o inevitável, a molecada só espera a próxima festa. E eles são cada vez mais.

 

5 Responses to “baile Juke”

  1. Szcjskã Says:

    gatíssimas as americaninhas dessa série aí…. putz , se eu aparecesse ali, certamente me diriam : não tio ! o sr enganou-se … o teu bar é logo ali em frente do outro lado da rua. Deve ter sido tesão pacarai poder estar alí entre minhas irmãzinhas brancas…..

  2. hudson Says:

    al cabonde

  3. hudson Says:

    gatíssimas mesmo, rensga

  4. ßøRðe® Says:

    batidão + lambada + movimentos libidinosamente hiperbúlicos = paudurecência garantida!
    preciso conferir isso de perto!

  5. tag Says:

    certeza! quando chegar na area colai! teh mais!


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